O que você não diz quando diz que "está tudo bem"
Saúde mental no trabalho ainda é um tema tratado em silêncio. A pressão por produtividade, o medo de parecer fraco, a sensação de que não está tudo bem mas precisa parecer que está. Quantas vezes você teve que vestir uma máscara para lidar com o que existe ao redor?
O silêncio que ninguém nomeia
Muitas vezes a resistência à psicoterapia nasce daquela sensação de que, se a vida parece organizada por fora, com a carreira e a família em dia, então não haveria motivo para buscar ajuda. Mas a verdade é que o cansaço mais profundo costuma ser silencioso e aparece justamente quando tudo parece estar funcionando como deveria.
Existe um tipo de exaustão que não aparece nos exames e chega antes de qualquer hipótese diagnóstica. É o cansaço de quem sustenta tudo e não encontra espaço para simplesmente parar. De quem ouve “você é tão forte” e sente, por dentro, que essa força está custando muito caro. Um esgotamento que existe antes de ter nome, e que merece atenção exatamente por isso.
Saúde mental no trabalho e o peso invisível da performance
A cultura do desempenho criou um ambiente onde sentir é fraqueza e produzir é virtude. Você aprende cedo que mostrar vulnerabilidade no ambiente profissional tem um custo. Então você aprende a sorrir nas reuniões, a responder “estou bem” no automático, a guardar o peso para carregar sozinho depois do expediente, que por muitas vezes, é sustentado em horas extras pois não performa sua produtividade no horário comercial.
Esse mecanismo funciona por um tempo. Mas o corpo tem memória. A mente tem limite. E em algum momento o que ficou represado começa a aparecer de outras formas: insônia, irritabilidade, sensação de vazio no meio de uma conquista, coração acelerado, dificuldade de sentir prazer nas coisas que antes faziam sentido.
Às vezes esse incômodo surge no momento de uma grande conquista, quando em vez de satisfação, você sente um estranho peso ou a dúvida se a vida se resume apenas a isso. Ou quando as conversas em casa se tornam repetitivas, baseadas apenas na rotina ou em silêncios que afastam, e você já não sabe como resgatar a vontade de estar junto com quem ama, procurando por vezes até isolar-se.
Quando a psicoterapia entra onde o esforço não alcança
Psicoterapia não é apenas para momentos de crise aguda. É um processo para quem percebe que, embora a vida esteja completa na aparência, existe um vazio interno que não vai embora. É para quem ocupa o lugar de quem cuida e sustenta todos ao redor, mas sente que não tem um espaço onde possa simplesmente soltar o peso e ser ouvido sem julgamentos.
Existe também aquele cansaço de ter que ser produtivo e impecável em todos os papéis, de ser o parceiro ideal, o profissional que nunca falha e o filho sempre presente, enquanto você sente que vai se tornando apenas um executor de tarefas, perdendo o contato com o que realmente te faz sentir vivo. Ou ainda o esforço de seguir adiante com um sorriso no rosto após uma perda, enquanto o mundo continua girando e uma parte sua parece estar anestesiada.
A psicoterapia cria o espaço onde esse peso pode ser dito em voz alta, talvez pela primeira vez sem que você precise proteger ninguém do que sente. Não é um lugar de respostas prontas. É um lugar de escuta real, onde o que você carrega encontra continência antes de encontrar solução.
O primeiro passo
Apresentar o seu mundo a um profissional psicólogo(a) é o primeiro passo para resgatar a sua energia. É o lugar onde você pode deixar de lado as expectativas dos outros e reencontrar a sua própria voz. É onde o seu caminho é compartilhado com alguém que caminha ao seu lado para que você possa voltar a habitar a própria história com prazer e presença.
Se você sente que é o momento de olhar para além das aparências e se permitir um espaço de cuidado, coloco-me à disposição para acompanhá-lo nesse processo.
Cecília Pinedo
Psicóloga Cecília Aparecida Nunes Gusmão de Pinedo - CRP 06/230715
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